Quando a noite cai azul

Alegria e tristeza
O tempo vai passar
E você só, sem saber
Está correndo atráz de que?
A festa continua
E a dor não é o fim
Esquecemos dias negros
Quando a noite cai azul
Quando a noite cai azul
Nós temos nossos sonhos
E nem todos são em vão
Persegui uma verdade
Tropecei na ilusão
É apenas o destino
Então que seja assim
Jogo fora essas cores
Quando a noite cai azul
Quando a noite cai azul
É apenas o destino
E a dor não é o fim
Jogo fora essas cores
Quando a noite cai, a noite cai azul
Quando a noite cai azul
Quando a noite cai…

(Celso Blues Boy)
http://www.celsobluesboy.com.br
http://pt.wikipedia.org/wiki/Celso_Blues_Boy

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Cemitério

Cemitério - Praia da Pipa - RN

Cemitério

Este pó foram damas, cavalheiros,
Rapazes e meninas;
Foi riso, foi espírito e suspiro,
Vestidos, tranças finas.
Este lugar foram jardins que abelhas
E flores alegraram.
Findo o verão, findava o seu destino…
E como estes, passaram.

Emily Dickinson
(Tradução de Manuel Bandeira)

Canção de Outono

Outono folhas caídas

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…

Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…

Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!

(Mário Quintana)

Como pintar um pássaro

Pássaro

Pinte primeiro uma gaiola
com a porta aberta.
Em seguida pinte alguma coisa graciosa,
alguma coisa simples,
alguma coisa bonita,
alguma coisa útil…
ao pássaro.
Depois, coloque a tela contra uma árvore
no jardim,
no bosque
ou na floresta
e esconda-se
atrás da árvore
sem dizer nada, sem se mexer.
Às vezes o pássaro chega logo,
mas pode levar muitos, muitos anos
até se resolver.
Não desanime,
espere.
Espere, se preciso, durante anos.
A velocidade ou a lentidão da chegada
do pássaro, não tem a menor relação
com a qualidade da pintura.
Quando ele chegar
(se chegar)
mantenha o mais profundo silêncio,
espere que ele entre na gaiola.
Depois que entrar,
feche lentamente a porta com o pincel.
Aí então apague uma por uma todas as varetas.
(Cuidado para não esbarrar em nenhuma pena
do pássaro.)
Finalmente pinte a árvore,
reservando o mais belo de seus ramos ao pássaro.
Pinte também a verde folhagem e a doçura do vento,
a poeira do sol,
o rumorejo dos bichinhos da relva no calor da estação.
Depois aguarde que o pássaro se decida a cantar.
Se ele não cantar, mau sinal:
sinal de que o quadro não presta.
Mas bom sinal, se ele canta:
sinal de que você pode assinar o quadro.
Então retire suavemente
uma pena do pássaro
e escreva o seu nome a um canto do quadro.

Jacques Prévert

Tradução-Homenagem: Carlos Drummond de Andrade

Ilustração: Miyamoto_Musashi